Por que a motivação acaba na terça-feira? A diferença entre empolgação e estrutura

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Segunda-feira de manhã. Sua empresa contrata um palestrante showman para a convenção anual. Ele sobe no palco, coloca música alta, faz as pessoas se abraçarem, gritarem frases de guerra e pularem nas cadeiras. Todos saem do auditório eletrizados, prometendo “vestir a camisa”. O RH comemora o sucesso.

Terça-feira à tarde. O primeiro problema real acontece. Um cliente reclama, uma meta não é batida, um sistema cai. Cadê aquela energia toda? Desapareceu.

O mercado corporativo viciou em palestras motivacionais porque elas agem como analgésicos: mascaram a dor de uma cultura organizacional frágil com uma injeção rápida de dopamina. O problema é que a motivação é um combustível volátil. Ela queima rápido.

O que sustenta uma empresa nos dias difíceis — que são a maioria — não é a empolgação. É Maturidade e Estrutura.

A Lição da Equipe Olímpica Britânica

Se existe um exemplo de Engenharia de Gente aplicada ao extremo, é a equipe de ciclismo da Grã-Bretanha sob o comando de Dave Brailsford. Antes dele, a equipe era medíocre.

Brailsford não contratou palestrantes para gritar “vocês são campeões!”. Ele implementou a teoria dos Ganhos Marginais. Tudo foi analisado: o travesseiro em que os atletas dormiam (para melhorar o sono em 1%), a forma correta de lavar as mãos (para reduzir infecções em 1%), o gel de massagem, a ergonomia do banco.

Eles não focaram na emoção da vitória; focaram na estrutura da performance. O resultado? Dominaram o ciclismo mundial e as Olimpíadas por uma década. Venceram pela engenharia do processo, não pelo grito de guerra.

Da Euforia para a Engenharia

Não sou contra a motivação. Sou contra a ilusão de que ela resolve problemas estruturais. Em 35 anos decifrando a mente humana, aprendi que resultados consistentes só nascem quando olhamos para os padrões invisíveis da cultura:

  • O medo de errar, que paralisa a inovação (cultura punitiva).
  • A vaidade, que impede a colaboração entre áreas (silos de poder).
  • A imaturidade emocional, que transforma feedback técnico em ofensa pessoal.

Enquanto sua empresa depender de “animadores de torcida” para funcionar bem, ela será refém dos altos e baixos emocionais da equipe.

A verdadeira virada de chave acontece quando trazemos a Ciência do Comportamento para a mesa. Precisamos falar de autorresponsabilidade, de inteligência de padrões e de processos humanos claros.

Isso pode parecer menos “divertido” do que pular no auditório, mas é o que paga a conta e constrói legado.
A motivação passa. A estrutura fica.


Quer uma palestra que gere mudança real e duradoura? Leve para sua convenção O Engenheiro de Gente: A Reengenharia da Sobrevivência. Uma visão provocativa e técnica sobre como construir uma cultura de alta performance baseada na realidade, não na ilusão.